Jornal Riogastro


Publicado em 09/04/2019 às 14:00 por Prof. J.F. Penteado



GORDOFOBIA

Cada vez mais vemos a discriminação para com os obesos gerando aquilo hoje denominado de GORDOFOBIA. São piadas maldosas que incomodam muito, e que aumentam no verão e carnaval.

 O que está por trás desses xingamentos é reforçado pela sociedade e é  visto nos transportes públicos e nos assentos do avião, nas marcas de roupas feitas para magros e nas expressões ofensivas.

O império mundial da obesidade está nos EUA. O Brasil ainda não está no segundo lugar e sim em quinto lugar de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, mas,nós brasileiros, estamos piorando nossos índices já que em 1980 só 7% da população era obesa, cresceu em 2015 para 18% e está caminhando para se assemelhar a americana.

Os mecanismos da obesidade são vários, um dos mais muito importantes é um vicio que envolve o sistema cerebral de recompensa.

 A obesidade tem como denominador comum a genética, já que os obesos nascem com um aumento maior de células adiposas no organismo especialmente no intestino delgado fazendo com que ocorra uma maior absorção dos alimentos. Para complicar e dificultar muito mais, existe nos gordos uma alteração de uma série de hormônios produzidos pelo estomago e intestino que desregulam o controle da alimentação. Os principais hormônios são a GRELINA, (responsável pelo controle da sensação de fome), da LEPTINA, (que controla a saciedade e da DOPAMINA, (responsável pelo bem estar).
Como a obesidade tem uma enorme variedade de fatores ela ainda sofre uma pressão sócio biológica já que cada vez comemos mais em resposta aos apelos de uma industria que incentiva o consumo de alimentos hipercalóricos, oferecendo porções cada vez maiores de fast-food e espalhando maquinas de alimentos automáticos em todos os cantos.

Para que se entenda a luta dos obesos contra todos esses fatores acrescentamos que: quanto mais tempo uma pessoa se mantiver gorda, menor será o seu tempo de vida. Esse aumento de peso gera hipertensão arterial, com sobrecarga cardíaca, aumentando em três vezes o risco de ter o diabetes tipo dois.

Mas, recentemente, o que balançou mais a situação dos obesos foram 2 artigos médicos publicados, analisando 54.000 obesos. A relação entre o grau de obesidade medido pelo índice de massa corporal (IMC) elevado, e a presença de doenças mostrou que, apesar de tudo, esses americanos eram saudáveis mesmo tendo obesidade mórbida.  Ser gordo não é necessariamente sinônimo de ser doente, e ser magro não é sinônimo de ser saudável, porque, até então, usava-se esse índice para classificar a presença de ser doente ou não.

Isso balançou bastante a utilização do índice IMC, que deixou de ser confiável para essa avaliação.

A tendência atual é troca-lo pelo índice de MASSA DE GORDURA RELATIVA (RFM), que relaciona a altura com a circunferência abdominal.

Trataremos desse assunto com o melhor manejo para controlar a chamada OBESIDADE MORBIDA na matéria de Maio.(veja aqui)

Referências:

  • Archives of internal medicine, 2017
  • Universidade de Los Angeles, 2017
  • Prof. J.F. Penteado