Jornal Riogastro


Publicado em 08/08/2019 às 09:00 por Prof. J.F. Penteado



Como está a bactéria H. pylori.
Causadora das gastrites, úlceras e câncer, quais a novidade no 36º aniversário da sua descoberta. - 1ª Parte

A bactéria é um micro-organismo dotado de cílios compridos em forma helicoidal, daí advém o seu nome. São esses cílios que permitem ela fixar-se à superfície da mucosa gástrica. Até descobrir-se o papel desta que vive no estomago e na boca, as ulceras gástricas e duodenais eram tratadas cirurgicamente retirando mais da metade do estomago. Nessa época também, as ulceras eram consideradas manifestações psicossomáticas das pessoas ansiosas e estressadas, tratadas pelo psiquiatra.

Nos anos 1970, surgiu a primeira revolução ao combate ao ácido gástrico com o advento de drogas capazes de inibir a formação da acidez e já, com isso, já se podia curar a doença ulcerosa e as gastrites.

Em 1983 exatamente há 36 anos foi dado o xeque mate nas doenças ácido dependentes quando Warren J. E Marshal  isolaram o helicobacter pylori no estômago de pacientes com gastrite crônica e levantaram a hipótese que era essa bactéria a causadora da doença. Anos após foram outorgados com o PREMIO NOBEL.

Mas, logo no inicio surgiu o descrédito. Como e porque podia essa bactéria sobreviver nesse meio tão ácido? Já se sabia que nenhum ser vivo que adentre ao estomago podia sobreviver.

Hoje sabe-se que essa bactéria consegue viver no estomago graças a capacidade de converter a ureia presente no suco gástrico em amônia e gás carbônico, processo esse que lhe fornece a energia necessária para sobreviver e ainda mais porque ela não fica exatamente na luz gástrica e sim dentro de uma camada da mucosa gástrica na região chamada de piloro, por isso o seu nome.

Essa infecção é contraída nos primeiros dias de vida do ser humano, persiste indefinidamente, e só desaparece quando tratada.

Mais de 5O% da população mundial está infectado e muitas vezes sem apresentar sintomas.

A presença do H. pylori é considerada fator associado, (cofator), ao desenvolvimento de 4 patologias gastroduodenais:

  1. as úlceras gástricas e duodenais, (1 a 10% dos portadores);
  2. cancer gástrico, (O.1 a 3%);
  3. linfoma Malt, doença maligna que ocorre 1/10.000;
  4. gastrites agudas e crônicas, (50 a 70%).

A erradicação da bactéria cura mais de 80 % das ulceras gástricas e duodenais por ela provocadas e 60 a 70% das gastrites.

O H. Pylori causador do câncer Linfoma Malt, se cura quando localizado com a erradicação da bactéria.

É o único exemplo de um tipo de câncer ser curado com antibióticos.

O papel das gastrites bacterianas provocadas pelo H.Pylori não tem se mostrado muito significativo com o seu tratamento na redução de toda a sintomatologia dispéptica já que esbarramos com a genética de pessoas com muita secreção ácida e o papel irritante alimentar e medicamentoso.

O diagnóstico da infecção pode ser feito nos casos não tratados pelo sangue e pelas fezes e em qualquer caso pela endoscopia e pelo teste respiratório utilizando o carbono 13 ou 14.

O tratamento exige muitas vezes combinações de 3 ou 4 antibióticos ou ainda medicação de amplo espectro.

É noção corrente que depois de tratado e controlada, dificilmente tem recidiva já que cria-se um anticorpo de defesa do organismo.

A grande dificuldade é que a contaminação é oral alimentar e que o controle da higiene dos alimentos é importante.

Esse capitulo foi a apresentação da bactéria. Pela importância e diversidade de manifestações que ela pode provocar, nos 2 próximos meses continuaremos com esse assunto.

Referências:

  • Varela, Drauzio, a bactéria que vive no estomago;
  • J.F.Penteado, experiência pessoal.