Jornal Riogastro


Publicado em 11/06/2019 às 15:00 por Prof. J.F. Penteado



GORDOFOBIA Última parte – Tratamento

Continuando nosso artigo anterior. Falaremos sobre o tratamento.

O tratamento da obesidade esbarra na análise de suas causas que têm um denominador comum, a genética.

A presença de grande quantidade de células adiposas no organismo, especialmente no intestino delgado, aonde absorve-se os alimentos, o sistema hormonal do obeso, normalmente desregulado. Grelina que controla a sensação de fome; Leptina que (controla a saciedade) e DOPAMINA, (responsável pelo bem estar).

A tudo isso acresce um fator psicológico que é o sistema cerebral de recompensa. Assim sendo, com reeducação alimentar e produtos que provocam anorexia somente 10% das pessoas que      conseguem perder muito peso conseguem manter essa reduçãoem 5 anos. Por isso atualmente, há 5 milhões de brasileiros elegíveis para emagrecer através de cirurgia. As mulheres são as que mais recorrem a esse método e elas já representam 70% dos pacientes.

O Brasil é também o campeão mundial nas cirurgias plásticas, tanto para correções
estéticas, quanto na redução da gordura corporal aparente. Logo, somos um pais tropical onde o culto ao corpo é um apanágio.

O aperfeiçoamento e a simplificação da cirurgia bariátrica, só faz crescer. Operações que duravam 3 horas, agora só duram uma hora. A alta hospitalar se faz em 24 horas.

Assim, existem 2 tipos básicos de cirurgia da obesidade: as restritivas em que se reduz a capacidade do estomago e as não absortivas em que se joga o alimento mal digerido no delgado.

As restritivas são as mais usadas por não levarem a complicações mais sérias. Elas são 1- by-pass gástrico, feito por grampeamento do órgão e a 2a variante é a gastrectomia vertical, que reduz o estomago a praticamente 1/3 do tamanho original, usada para obesos que precisam perder menos peso. Independente do tipo de operação o paciente consegue seu objetivo, emagrecer porque perde a fome radicalmente a quantidade de comida cai a um quarto, em média por falta de espaço de armazenamento.

O grande desafio do pós - operatório imediato, é a limitação da ingestão adaptativa. Mas, quatro meses após a cirurgia perde-se em média 20% do peso total mas o objetivo final é atingir os 40% dos quilos iniciais em dois anos.

O interessante é que ao mexer na arquitetura do estomago surge uma sinfonia de alterações, isto, porque, a orquestra hormonal desregulada se rearranja.

Os hormônios intestinais se modificam  liderados pelo freio que se dá na GRELINA, NA LEPTINA  E NA DOPAMINA.

Com a perda do peso, as doenças associadas a obesidade, como pressão arterial, o
diabetes associados ao risco de derrame, a apneia do sono e colesterol, se controlam logo na primeira semana.

Em conclusão: apesar de todos os avanços técnicos e facilidades, a cirurgia é o método mais seguro de obter resultados duradouros, mas o procedimento como um todo está longe de ser uma coisa simples, pelo impacto biológico e comportamental, porque a silhueta muda mas a cabeça também precisa mudar. 

Referências:

  • Emagrece na faca, Cuminale, Natalia SaudeGeral, Veja, março 2019