Jornal Riogastro


Publicado em 04/12/2019 às 09:00 por Prof. J.F. Penteado



Helicobacter Pylori bucal

A associação de Helicobacter Pylori com várias doenças vem sendo continuamente discutida na literatura mostrando os diferentes locais que essa bactéria pode estar albergada.

Para isso uma análise de cerca de 5024 artigos relativos sobre a epidemiologia e a transmissão foram revisados e mostrou que essa bactéria apresenta distribuição mundial na boca.

Acompanha ou não a localização gástrica, sendo a boca o sitio mais relevante depois do estomago. Esse patógeno mantem uma congregação com outros microrganismos presentes na boca e que a doença periodontal potencializa a colonização dessas bactérias. O H Pylori tem como localização a placa gengival, sub ou supra gengivais e nas mucosas, especialmente na língua.

Recentemente estudos mostraram que a saliva também funciona como habitat do H Pylori, e que, a sua colheita, parece ser um bom material para exames capazes de detectar a presença dela.

Na localização bucal, também se aceita que esta possa contribuir para a reinfecção gástrica nos casos de já havermos erradicado o mesmo no estomago. Outros estudos, evidenciaram que a presença dela na boca era menor que nos estomago e isso leva a crer que a boca seria uma contaminação secundaria. Aí entra um capitulo muito frequente e muito importante do possível papel do refluxo gastresofágico nessa patogênese.

Para melhor entendimento desse capitulo a Helicobacter Pyloiri é um bastonete gram negativo, espiralado, que desde a sua descoberta já deu aos autores o prêmio Nobel. A partir daí se passou a estudar exaustivamente, analisando as doenças a ela ligadas, é logico as mais importantes, como as gastrites crônicas ditas bacterianas, ulceras gastroduodenais, linfomas e neoplasias malignas gástricas, sendo esse patógeno considerado como carcinógeno pela OMS.

Provavelmente deve infectar mais da metade da população mundial em algum momento da vida, dependendo do sistema imunológico, e que essa bactéria pode estar envolvida de maneira ainda não esclarecida em inúmeras condições patológicas não ligadas ao sistema digestório, como doenças cardiovasculares, diabetes, doenças imunológicas / inflamatórias e neoplásicas, a contaminação é feita da forma oral-oral; gastro-oral.

Para encerrar mostramos a grande importância dessa bactéria que trataremos mais ainda no capítulo das doenças gástricas e que na nossa enorme experiência em nosso centro de halitose, (mau hálito), essa bactéria na boca gera enxofre que pode ser considerada como a causa de halitose, já que, encontramos em 60% dos pacientes examinados de mau hálito. Essa nossa experiência envolve um total de cerca de 5.000 doentes.

Referências:

  • J.F.Penteado, experiência pessoal.