Jornal Riogastro


Publicado em 09/10/2018 às 22:00 por Prof. J.F. Penteado



A GORDURA DO BEM

A ciência da nutrição passa por uma reviravolta sem precedentes ao afrouxar as restrições ao consumo de queijos, carne e manteiga. Poucas questões na medicina foram unanimidade por tanto tempo quanto o impacto das gorduras dos alimentos sobre a saúde.

Estava aceito e imutável que uma dieta saudável, seria aquela com a menor quantidade possível de gordura saturada e porções generosas de insaturada. Estudos recentes  izeram uma revisão nesses conceitos sugerindo um afrouxamento nos parâmetros  aprovados nas Diretrizes Alimentares Americanas, da FDA, que é a agencia americana de controle de remédios e alimentos.

No Brasil para orientar médicos e pacientes 31 profissionais da Sociedade Brasileira de Cardiologia, com aval de endocrinologistas e nutricionistas elaboraram uma ampla cartilha relacionando o uso de gorduras as doenças cardiovasculares, que tem como função  fazer uma redenção da gordura.

Agora esses são os novos valores:

Gordura Saturada Poli-insaturada Mono-insaturada Gordura Trans
Passou de 7 - 10 % Passou de 11 - 10 % Passou 12 - 15% 2%

Queijos, leite, carne

Óleo soja, girassol,

Amêndoa, abacate

Biscoitos, sorvetes,

Bolos, tortas, sucos

Côco, cacau

Milho, linhaça

Castanha, oleo oliva

Salgadinhos pc.

Infarto  Hipertensão-Arteriosclerose

Infarto

Aterosclerose

Linfomas

Obesidade

 

Diabetes, derrame,

Hipertensão, infarto

Depressão

Na teoria anterior o fato da gordura saturada ser a grande vilã, fez com que a população tenha diminuído drasticamente, passando a usar mais carboidratos. Esta inversão foi a pior coisa que aconteceu nos últimos cinqüenta anos. Atualmente mais de 50% do total diário de calorias ingeridas pelos brasileiros é de alimentos ricos em carboidratos  simples, caracterizados pela falta de fibras e pela fartura de açúcar, farinha branca, macarrão, arroz e pão. Nos EUA essa porcentagem chega a 60% o que aumentou em cerca de 20% o numero de obesos. Teoricamente o carboidrato tem quatro calorias por grama e a gordura nove. O problema é a velocidade de absorção, um espaguete absorve três vezes mais rapidamente que um bife.

Logo, apesar, desse arrefecimento e tabus alimentares, tem que predominar o bom senso, a genética, os níveis de açúcar e lipídeos no sangue, o peso e a realização ou não de exercícios físicos para que se possa manter um equilíbrio e uma longevidade sadia.

Referências:

  • Ana Carolina Gagliardi Miguel, nutricionista e pesquisadora do Laboratório de Metabolismo de Lipídeos do Instituo do Coração de São Paulo